ENGLAND BLACK AND WHITE



Olá nação brasileira! Sejam todos muitíssimos bem vindos ao blog England Black and White.

Para informações sobre este blog, verifiquem a primeira postagem (20 de abril de 2010)


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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Security X Freedom

Caros filhos dessa terra,
Novamente peço desculpas pela falta de atualização. O mês está sendo complicado com provas finais e com a morte de minha bisavó.
Mas a vida continua - segue mais um artigo.
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A magnífica Londres, bem como todo o resto do Reino Unido, impressiona com seus altos níveis de segurança. Claro que não é “crime-free”, porém possuem uma polícia eficiente, praticamente incorruptível e uma logística anti-crime um tanto quanto impressionante. Isso foi auxiliado, e muito, pelas “CCTVs” (Closed-Circuit Television) por mais de 15 anos.

A vigilância no Reino Unido por meio de câmeras iniciou-se em 1960. Neste ano, duas câmeras foram instaladas pela Metropolitan Police na Trafalgar Sq. para monitorar a segurança na visita da família real Tailandesa. Devido ao sucesso, em 1961 instalaram-se câmeras nas estações de trens e ali se iniciou uma nova era da segurança. Em 1969 eram 67 câmeras em todo Reino Unido, sendo a grande maioria em Londres, perto da sede do governo britânico e o número continuou a aumentar hexobarbitalmente, incluindo câmeras em auto-estradas, Metrôs, e nos grandes centros políticos-econômicos.
Mas foi em 1994 que as CCTVs (sistema de circuito fechado de monitoramento) tornaram-se conhecidas. Com o slogan “CCTV: Looking Out for you” John Major, então Primeiro Ministro, discursou: “I have no doubt we will hear some protest about a threat to civil liberties. Well, I have no sympathy whatsoever for so-called liberties of that kind." (Não tenho dúvidas de que iremos ouvir algum protesto sobre uma ameaça às liberdades civis. Bem, não tenho qualquer simpatia pelas liberdades chamados dessa natureza.)

Para alguns, contudo, chegou-se a um ponto que o aumento das CCTVs não significa, diretamente, uma diminuição do crime. Muitos criticam o aumento de câmeras, considerando que o dinheiro dessas novas câmeras poderiam ser melhor aplicados em outras áreas, dentro do tema segurança, como em iluminação das ruas. As CCTVs hoje auxiliam Londres, por exemplo, com mais de 10 mil câmeras com um custo total de 200 milhões de libras.
Contudo, a principal critica é também a mais antiga – a privação da liberdade civil.

Nesse contexto que dois bairros muçulmanos em Birmingham, cidade localizada entre Londres e Liverpool (Noroeste), estão, através de seus representantes comunitários, lutando contra as câmeras de vigilância. A instalação das câmeras tornaram-se notícia após o jornal inglês, The Guardian, denunciar que as câmeras foram instaladas como um combate contra o terrorismo. O ato foi considerado absurdo e preconceituoso e as câmeras não foram ativadas após grande pressão pública. No total eram 169 câmeras instaladas com reconhecimento automático de placas de veículos, número três vezes maior que o número de câmeras instaladas no centro da cidade.

O Projeto Champion, como foi nomeado, tornou-se matéria inclusive política. Os vereadores da cidade defenderam-se dizendo que foram totalmente enganados pois foram levados a acreditar que as câmeras foram instaladas para combater comportamentos anti-sociais, o tráfico de drogas e roubo de veículos. Após a divulgação bombástica realizada pelo jornal, demandaram a total retirada das câmeras e uma investigação completa sobre o assunto.
As câmeras foram instaladas por um grupo anti-terrorista da polícia que o fizeram para "impedir ou prevenir o terrorismo ou ajudar a processar os responsáveis". Fontes policiais disseram que a iniciativa foi o primeiro de seu tipo no Reino Unido, tentando controlar uma população considerada "de risco", extremistas. O Parlamento planeja denunciar o ato como uma violação grave dos direitos civis.

O grupo admite que deveria ter melhor explicado a função das câmeras e defendem-se dizendo que a instalação foi realizada não somente como um ato anti-terrorista, mas com base nos dados de criminalidade do local. Não sendo suficiente, advogados de Direitos Humanos pretendem entrar com uma ação judicial contra o grupo.

No Brasil, já temos câmeras espalhadas por cidades, como no Rio de Janeiro mas estamos longe da dependência destas. As câmeras auxiliam, de uma forma mínima, a polícia e os investigadores e, mesmo assim, já tivemos discussões acerca da liberdade civil.

Mas não podemos nos dar ao luxo de discutir liberdade civil sem um sistema de segurança eficiente implantado. O direito à vida é superior à liberdade. Necessitamos importar a tecnologia inglesa e implantar de forma eficiente câmeras nos grandes centros urbanos para ajudar no combate ao crime. Tudo deve ser feito de forma gradual e através de câmeras “escondidas” como é realizado no Reino Unido. Câmeras em buracos na parede, em bancos de praça, em àrvores. Locais que não serão destruídas ou vandalizadas. Não é um Estado de Polícia, mas uma privação necessária à nossa segurança. Devido às pessoas, muitas vezes inúteis, que colocamos no poder, deixamos nossa segurança chegar a um ponto alarmante. Sem um planejamento adequado, ou que pelo menos solucionasse os maiores problemas, acabamos por nos acostumarmos com notícias trágicas nos jornais. Isso é errado.

Vale, contudo, lembrar, que nada adianta câmeras sem um bom policiamento e uma boa educação. A câmera é uma auxiliadora, somente, e não resolverá o grande problema brasileiro.
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Fontes:

http://www.thisislondon.co.uk/news/article-23412867-tens-of-thousands-of-cctv-cameras-yet-80-of-crime-unsolved.do

http://www.notbored.org/england-history.html

http://www.guardian.co.uk/uk/2010/jun/17/birmingham-stops-muslim-surveillance-scheme

quinta-feira, 27 de maio de 2010

“Your Lordship should use the public transport...”


“Your Lordship should use the public transport...”


Caros amigos compatriotas,


É com esta frase “utópica” que inicio este artigo. “Vossa Senhoria deveria utilizar o transporte público”. O sonho da grande maioria dos brasileiros é ver aqueles quem colocamos no poder que, por qualquer motivo, mereceu nosso precioso voto, utilizando o transporte público ou matriculando seus maravilhosos filhos nas nossas nem tão maravilhosas escolas de ensino público ou utilizando o SUS - Sistema Único de Saúde. Afinal, nossos governantes nada mais são do que simples representantes do povo e, como tal, visando o bem estar da nação, deveriam utilizar nossos serviços públicos para avaliá-los e melhorá-los.


Pelo menos esta “utopia” brasileira revelou-se no Reino Unido como algo extremamente viável.


Por anos e anos, ministros do parlamento utilizavam-se do serviço de motoristas que os levavam de suas casas à Whitehall (rua da Casa do Parlamento) em Jaguares ou em outros carros do mesmo nível. Por muito tempo esse era um forte símbolo de Status dos MP's (como são conhecidos na terra da rainha). Os motoristas contratados pelo Parlamento possuem, inclusive, a reputação de guardiões dos mais íntimos segredos dos ministros.


Porém, para a felicidade e orgulho dos londrinos e de todos os cidadãos ingleses, esse benefício será cortado pelo primeiro ministro David Cameron.


Ano passado, o atual primeiro ministro prometeu acabar com a prática de "políticos circulando por ai em carros com motorista como se fossem a família real" após verificar uma conta um tanto quanto “hilária” do ex-ministro Chris Mullin pelo uso de carro do governo. Este inutilmente se defendeu alegando que era extremamente difícil se desfazer do serviço, uma vez que são incentivados para tanto. Caso ele não quisesse mais o serviço precisaria avisar com 90 dias de antecedência, pagar uma espécie de taxa de 5 mil libras pela depreciação do carro na venda e tinha que enfrentar os unidos motoristas que se recusariam a largar os empregos.


Contudo, a gota d’agua foi registrada nessas últimas semanas. O líder da oposição no parlamento foi flagrado indo de bicicleta trabalhar, mas com um carro e seu motorista o seguindo com todos os papéis que ele iria utilizar naquele dia. Um verdadeiro absurdo para a terra dos melhores Pub's do mundo.


Devido ao abuso e ao gasto desnecessário, segundo Cameron, o fim do serviço é certo e todos os ministros serão incentivados a utilizar nada mais nada menos que o transporte público – ônibus e metrô - utilizando o carro do governo apenas em medidas emergenciais. Afinal de contas, o sistema de transporte londrino é um dos melhores do mundo!

IMAGEM DO ARQUIVO PESSOAL. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. CÓPIA PROIBIDA

Agora, será possível isso em nossa querida pátria onde os legisladores colocam em pauta, de forma emergencial, a votação do aumento de seus próprios salários e benefícios, enquanto o transporte público, educação é uma verdadeira vergonha? Nem se o sistema londrino de transporte fosse implantado aqui.


Legislar é a mais bem paga profissão do setor público e a com mais benefícios. Esses dias saiu uma notícia que nosso país nem tem tantos funcionários públicos, porém é um dos que mais gasta com os mesmos! Está tudo absolutamente do avesso. Mais funcionários públicos seria uma coisa boa devido à imensidão de nossa pátria. Resultaria no desatolamento do judiciário e na maior agilidade do legislativo. Porém continuar gastando 12% do PIB brasileiro neles é algo inadimissível! Legislar deveria ser à todos os eleitores e nunca, jamais, em causa própria.


Imaginem vocês os “Ilústres” Senadores da República e Deputados Federais andando de ônibus ou metrô em um dia comum de trabalho – e sem chamar a imprensa para mostrar que utiliza o sistema público. Algo aqui sulreal. “Vossas senhorias” que possuem o que deveria ser o mais honroso cargo em nosso país, com uma das funções mais primordiais com o objetivo uno de sempre melhorar nossa idolatrada pátria , deveriam sentir vergonha da forma como tudo é realizado e mantido no Brasil. Deviam sentir na pele aquilo que a vasta maioria sente – só assim para vermos um sistema educacional, um sistema de saúde e um sistema de transporte muito melhor.


Enquanto à nós, “brasileiros comuns”, nos cabe votar consciente e conscientizar a todos. Não “engulir sapo” e não pensar que todos que estão no poder são iguais e pouco se importar com o maior problema do Brasil – os políticos A política é o reflexo do povo. Temos que mudar a cara desse “país do futuro” – do futuro na economia e para o resto do mundo – pois na política somos ainda o “país do império”.


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Fonte:


http://www.guardian.co.uk/politics/2010/may/25/ministers-cars-scrapped-public-transport

terça-feira, 11 de maio de 2010

TEMOS UM NOVO LIDER



Olá a todos!

Primeiramente gostaria de pedir desculpas pela falta de atualização do Blog em um dos momentos mais revolucionários deste século na política inglesa. A semana política conturbada coincidiu com umas das minhas mais atarefadas semanas deste ano.

O fato porém é uno. Gordon Brown caiu junto com o Partido Trabalhista, após 13 anos no poder, na mesma proporção que David Cameron subiu junto com o Partido Conservador.

Foi uma eleição considerada histórica. Inicialmente pelo fato da quantidade de eleitores que compareceram às urnas (uma vez que, diferentemente do Brasil, o voto não é obrigatório) e, pela primeira vez em toda história britânica, um partido não recebeu mais de 50% (maioria absoluta) de cadeiras no parlamento. Uma verdadeira "vitória em minoria"

O Partido Conservador, liderado por Cameron, conquistou 306 cadeiras; o Partido Trabalhista, 258; e o Liberal Democrata, de Nick Clegg, ficou com 58 assentos. Assim ambos os partidos, Trabalhista e Conservador, necessitavam de uma coalizão com o partido de Nick Clegg. O Partido Trabalhista bem que tentou. Após uma generosa oferta fez sua última jogada e a mais radical de todas - Gordon Brown, então líder do Partido Trabalhista e primeiro ministro renunciou ao cargo em uma ousada tentativa de atrair a atenção de Clegg que claramente não gostava do ex-primeiro ministro e sua forma de governar.

Mas o fim era inevitável. A Rainha da Inglaterra, Elisabeth II, minutos após a renúncia chamou Cameron em sua residência oficial no coração de Londres e pediu ao líder do Partido Conservador que formasse um novo governo, este que prontamente aceitou e tornou-se o Primeiro Ministro mais jovem desde 1812, com 43 anos, 7 meses e 2 dias.

IMAGEM DO ARQUIVO PESSOAL. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. CÓPIA PROIBIDA


Chega ao fim uma das fases conturbadas da política inglesa e uma nova era começa à todos. No dia 11 de maio de 2010, renuncia Gordon Brown e assume, a pedido da Rainha da Inglaterra, David Cameron que, sem qualquer sombra de dúvidas, fará coalizão com Nick Clegg e restaurará a confiança na política!

No Brasil estamos na mesma. Serra ou Dilma, Dilma ou Serra. Entra governo e sai governo e poucas são as mudanças que observamos.

São poucos aqueles que renunciam ao cargo para ajudar seu partido ou ao seu país, mesmo sendo a política brasileira uma política partidária. Apenas após longo e burocrático processo de Impeachment, alguém deixa o cargo nesta nossa sofrida pátria amada. Mas isto, segundo nossa Ilústre Constituição de 1988, é a DEMOCRACIA.

Temos descrença na política e no político, e não é para menos. Nada adianta mudar o presidente se os parlamentares continuam os mesmos e vice-versa. Não temos nenhum ou muito pouco entusiasmo com as eleições e vemos apenas como mais uma obrigação cívica, cujo não cumprimento acarretará em dor de cabeça e sanções administrativas. Temos que votar, não importa se concordamos com as idéias ou com os idealizadores. Votamos muitas vezes sem pensar e sem querer pensar apenas para alimentar a máquina democrática sem a valorização daquilo que considero mais importante que a democracia - O POVO BRASILEIRO


Para uma efetiva democracia, deveríamos ter política como matéria obrigatória em todas as escolas, públicas e particulares. Nesse ponto os mais conspiradores argumentam que tal ato será impossível pois os políticos desejam que mantenhamos esse analfabetismo para que eles possam ser re-eleitos. Mas o fato é que ninguém de fato pensa no assunto uma vez que a Constituição garante o voto de todos os brasileiros capazes e política acontece apenas em ano de Copa do Mundo de Futebol. Novamente caímos no problema de pensar o Brasil em 04 ou 08 anos. Esta na hora de mudar, esta na hora da conscientização.

Sou da opinião que se não estão satisfeitos votem NULO. Jamais Branco, pois esse é o ápice da indiferença. Mas NULO significa que você não está plenamente satisfeito com nenhum candidato. Se todos tivessem isso em suas cabeças. apostaria todas as minhas fichas que nessas fracassadas eleições de 2010 uma grande parte da população votaria NULO.

A insatisfação com Gordon Brown era clara desde que assumiu em 2007 e após 03 anos ocorre a renúncia voluntária do mesmo. O povo queria mudança e obteve mudança. Isso deveria ser a política, mas um dia chegaremos lá.

Somos "jovens" na política e devemos aprender com "os mais velhos". A política não é para políticos ou para partidos, e sim para toda uma nação.

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Fontes:

http://www.guardian.co.uk/politics/2010/may/10/gordon-brown-labour-leadership-resignation

http://www.guardian.co.uk/politics/2010/may/11/general-election-2010-live-blog

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quinta-feira, 6 de maio de 2010

Quem será o novo líder?

Bom dia a todos!
Não atualizei o blog esta semana devido à grande demanda do trabalho e da faculdade. Contudo, vale lembrar que hoje é o grande dia. Hoje os cidadãos ingleses decidirão se mantém Gordon Brown no poder (muito provavelmente não) ou se colocam um conservador ou um centro-direita.
Se fosse para apostar minhas fichas eu diria que o partido conservador será eleito, mas é apenas um chute.
Fiquem atentos! A eleição de hoje pode afetar diretamente o Brasil que pode se beneficiar de uma política mais conservadora .
Espero que ainda esta semana eu consiga postar um novo artigo.
Regards
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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Segurança - orgulho nacional, exemplo mundial

Olá, magníficos cidadãos brasileiros !

Segurança na Inglaterra é motivo de orgulho Nacional e não é para menos!


Imagem do arquivo pessoal. Todos os Direitos Reservados. Cópia Proibida

Os níveis de segurança (diretamente relacionados aos níveis de criminalidade) foram de ótimos para excelentes na Inglaterra no ano que a recessão econômica bateu forte em todos os países, principalmentes aqueles considerados mais ricos, como a Inglaterra. Recessão econômica é um período em que há um grande declínio na taxa de crescimento econômico e resulta diretamente na diminuição da produção, do trabalho e dos salários. Como resultado indireto, obtemos uma tendência na elevação das taxas de criminalidade. Porém, com uma boa política pública de combate ao crime, isso pode ser superado e evitado.

Foi exatamente o que ocorreu na Inglaterra no ano de 2009 segundo estatísticas oficiais. No total,a polícia inglesa registrou 4 milhões e 400 mil ocorrências, 340 mil ocorrências a menos que 2008, uma redução total de incríveis 7% em um ano conturbado pela recessão econômica mundial. Com isso, atingiu o menor nível de criminalidade desde a ascensão ao poder do Labour Party (Partido Trabalhista em tradução literal) em 1997.

Dentre os crimes, segundo o British Crime Survey (instituto de pesquisa de criminalística inglês) os que possuiram maior queda no índice foi roubo contra indivíduos (-21%) e furto (-12%) (Apenas para esclarecimento, o roubo, assim como o furto, envolve a subtração de coisa alheia móvel, para si ou para outrem, porém no roubo há a existência de grave ameaça ou o emprego de violência contra a pessoa). O único crime que obteve um aumento no índice foram as ofensas sexuais (+2%). Houve quedas em todas as demais categorias, incluindo, além das já supramencionadas, fraude e roubo de automóveis.

Quem já teve a maravilhosa oportunidade de conhecer Londres ou qualquer outra cidade inglesa, pode sentir na pele o alto nível de segurança, interpretado erroneamente, muitas vezes, como repressão ou até preconceito. Inegável é o fato que o policiamento nas ruas é constante e, em alguns momentos do dia em determinados locais, há mais policiais do que civis. O principal diferencial não é a quantidade de policiais mas sua qualidade. Todos são oficiais treinados e incorruptíveis devido aos altos níveis salariais e ainda contam com a ajuda dos cidadãos. Vários são os Outdoors pela cidade com o telefone do disque-denúncia e geralmente acoplados a uma imagem um tanto quanto chocante de um crime sendo cometido. Além disso, há milhares de CCTV's (Closed-Circuit Television), fixas e móveis que ajudam a identificar infratores de maior e menor porte.

Imagem do arquivo pessoal. Todos os Direitos Reservados. Cópia Proibida


Mas o mais impressionante é o tratamento humano que a polícia fornece às vítimas. Eu, pessoalmente, experimentei este tratamento uma vez que fui vítima de fraude em Londres. Após aguardar 15 minutos em uma delegacia, fui atendido por uma policial extremamente simpática ás 2h da manhã que, ao invés de seguir um roteiro com uma cara de poucos amigos (qualquer similaridade com a realidade brasileira é mera coincidência), realizava perguntas específicas e buscava descrever o crime no relatório o mais detalhado possível. Ao fim, fui para casa com uma sensação de alívio pela primeira vez após a descoberta da fraude.

Porém o mais impressionante ainda estava por vir. Dois dias após o registro na Met (como a polícia londrina é conhecida) recebi uma ligação em meu celular de um psicólogo que realizou uma breve consulta por telefone e orientou emocionalmente para lidar com o assunto (mesmo sendo apenas uma questão financeira). Se parasse por aí já seria suficiente para os ingleses sentirem orgulho do seu sistema policial, mas uma semana após essa ligação recebi outra do investigador que estava com o meu caso relatando o que eles tinham feito até então e o que poderia ser feito, colhendo algumas informações e provas extras. Ali me senti digno e respeitado independentemente da minha origem e condição social e percebi que ali era o local ideal para viver!

Mas deixando de lado o desabafo e a experiência pessoal, o fato é que a chance de alguém ser vítima de um crime na Inglaterra é de 22%, menor índice em 30 anos!

Obviamente, em clima de eleições, não poderia faltar opiniões políticas a respeito. O ministro do Interior (do Partido Trabalhista), Alan Johnson, desafiou Chris Grayling, porta-voz do Conservative Party (Partido Conservador) a admitir que a criminalidade vem caindo: "Se vamos ter um debate honesto sobre o crime, então Chris Grayling, finalmente, deve aceitar o que todos os inquéritos confirmam: que a criminalidade tem caído e ainda está caindo”

Obviamente que isso não ocorreu efetivamente, principalmente em épocas de eleições. Grayling reconheceu ter havido "alguma melhora", mas continuou a criticar a abordagem do Partido Trabalhista: “Qualquer melhoria é bem-vinda, obviamente, mas ainda vivemos em um país mais perigoso do que quando os trabalhistas chegaram ao poder” ( no governo de John Major, sucessor do “Homem forte do Reino Unido”, segundo Ronald Regan, Margaret Thatcher).

No Brasil, infelizmente, não possuímos um relatório bem apurado anual. As estatísticas limitam-se por estado e é feita pela secretaria de segurança pública, vinculada diretamente ao governo, motivo pelo qual alguns dados não são tão confiáveis. Nosso relatório nacional é o resultado da junção de todos os relatórios estaduais que é divulgado como um balanço geral. Não há como combater o crime sem conhecê-lo primeiro e sem uma polícia melhor preparada. Mas isso é assunto já esgarçado, prometido, porém observado há muito tempo, cuja solução é conhecida por todos. Entra governo e sai governo e nada é resolvido.

Este é um dos problemas do Presidencialismo, uma vez que renovamos obrigatoriamente o líder a cada 4 ou 8 anos no máximo, sem a possibilidade de um terceiro mandato, nenhuma atitude visando o futuro é devidamente realizada e aqueles que de alguma forma realiza, é "chicoteado" pela oposição e muitas vezes os projetos são alterados por completo ou extintos, quando um novo partido toma o poder. Temos, infelizmente uma política partidária e nossos interesses visam o melhor para a imagem do partido X ou Y e não o melhor para nossa pátria amada. O futuro do Brasil limita-se a “daqui 8 anos”.

Pensando bem, ao olhar quem são nossos deputados e senadores, 8 anos parece muito.
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Fontes:

http://www.guardian.co.uk/uk/2010/apr/22/crime-falls-despite-recession-figures - dia 22 de abril de 2010

http://pt.wikipedia.org/wiki/Recess%C3%A3o

http://www.met.police.uk/

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sábado, 24 de abril de 2010

BNP - Amargo, salgado e inglês

Bom dia caros amigos desta pátria cujos lindos campos tem mais flores!

Comento agora outra notícia que está dando o que falar na terra da Rainha!

O BNP (veja o artigo abaixo) divulgou ontem pela manhã um vídeo em seu site no qual aparecia o líder do partido, Nick Griffin, fazendo campanha política. Até aí, sem nenhuma novidade. O interessante (ou deprimente) é que foi colocado no ar, junto ao vídeo, um pote de Marmite.

Marmite é algo que poucos conhecem pois é extremamente típico e popular na Inglaterra. Muito utilizado para alimentar as crianças durante ambas as Guerras Mundiais, o Marmite é extremamente rico em vitaminas e é feito com extrato de levedura durante o processo de fabricação da cerveja (o que justifica seu gosto amargo). Seu marketing é extremamente famoso, com a frase "Love it or Hate it" - Ame-o ou odeie-o. E foi exatamente com essa intenção (principalmente pelo fato da Marmite ser um dos orgulhos dos ingleses) que o partido de extrema direita utilizou a imagem do produto - ou você ama o BNP ou você odeia.

Mas nem tudo são rosas no mundo dos extremistas. Poucas horas após a divulgação do vídeo, a Marmite (Unilever) publicou uma nota informando que o emprego da marca foi realizada sem autorização e que tanto a Marmite quanto a Unilever não são aliados de nenhum partido político. Não só, mencionaram que estão iniciando um processo contra o BNP para que retirem o frasco de Marmite da propaganda política e para "evitar futuros usos"
A utilização de produtos industriais em propagandas políticas, por mais típicos que eles sejam, é uma apelação desesperadora por votos que, na maioria das vezes, resultam em complexos e caros processos judiciais. Neste caso específico, vai contra à ideologia do partido, cujo objetivo não é apenas ganhar eleições, mas mudar a Inglaterra e conscientizar o povo inglês que "não-ingleses" são um dos maiores problemas da Inglaterra. Depois dessa atitude, eu apostaria que o diretor de Marketing será demitido.
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Fontes:

http://www.guardian.co.uk/politics/blog/2010/apr/22/general-election-20101 em 22 de abril de 2010
http://www.marmite.co.uk/


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quinta-feira, 22 de abril de 2010

BNP Black and White - Votos não condizem com a Ideologia do partido

O BNP (British National Party ou Partido Nacional Britânico) é o partido de extrema direita inglês e tem, como carro chefe político, uma guerra declarada contra os imigrantes contra ao "rendimento" à União Europeia.

Fundado em 1982, o partido que hoje têm como líder Nick Griffin, pode ser interpretado como um nazismo moderno. Ambas as ideologias, se assim me permitem referir-me a elas, surgiram em momentos conturbados. Na Alemanha, pós I Grande Guerra, era um momento de reconstrução. Destruída e enfraquecida, estava à mercê do extremismo que buscou um culpado pela crise, os quais deveriam ser expulsos do solo alemão, principalmente o povo judeu.

Com um responsável pela situação miserável vivida na época, surgiu uma nova esperança de reconstrução. Confusos, o povo alemão fez uso de muletas para se recompor e reconstruir a destruida Alemanha. A solução dada pelos extremistas passara a ser a mais simples e fácil possível – expulsar, reprimir e excluir os judeus e todos os outros "não-alemães" (surgimento dos conhecidos Guethos) e, já com o partido de Hitler consolidado no poder, exterminar aquilo que consideravam ratos, praga. A Alemanha perfeita e forte era uma Alemanha para alemães (propaganda principal dos nazistas).
Imagem do arquivo pessoal. Todos os Direitos Reservados. Cópia Proibida


Em um contexto econômico similar surgiu o BNP. A Inglaterra vivia na década de 80 umas das mais fortes crises econômicas provocada pela exorbitante alta do petróleo em 1979. Desta forma, o partido de extrema direita surgiu a partir de uma divisão da “Frente Nacional” – movimento Inglês de 1980 – formando um partido político que defendia uma “Inglaterra para ingleses”. Aceitando até 2009 apenas membros caucasianos, o BNP passou um pouco mais de duas décadas e meia sendo acusado de racismo e envolvendo-se em escândalos (como, por exemplo, a acusação que estariam aliciando Skinheads, formação Punk conhecida pela violência contra diferentes grupos étnicos e contra LGBS ou a severa crítica contra os Muçulmanos, sugerindo ainda a proibição de embarque de qualquer muçulmano em aviões com destino ao Reino Unido) e tendo, inclusive, seu atual líder recebendo um mandado de prisão em 1998 por incitar a violência e o racismo.

A partir de 2010 retiraram a regra o qual determinava que só poderiam fazer parte do partido sócio-político caucasianos brancos mas enfatizaram que só aceitariam aqueles que acreditavam fielmente em uma Inglaterra para os Ingleses.
A crise de 2009 fortaleceu o partido que ainda possui uma expressão política insignificante. Porém o que é preocupante que esse fortalecimento vem ocorrendo eleições após eleições. Apenas para efeitos comparativos, em 1983 (primeira eleição após a formação do Partido) eles obtiveram 14,621 votos para 53 candidatos enquanto na última, em 2005, foram impressionantes 192,746 votos para 119 candidatos, um crescimento de 600% proporcional ao número de candidatos e o número de votos. Porém, apesar do expressivo aumento de números de votos por candidato, o BNP não possui nenhum representante nas duas maiores casas do governo inglês – House of Commons e House of Lords. Suas atividades limitam-se governos locais, Parlamento Europeu (Insignificante) e na Assembleia de Londres (um de seus maiores cargos)


Imagem do arquivo pessoal. Todos os Direitos Reservados. Cópia Proibida

Contudo, a grande maioria dos 25 milhões de turistas anuais que o Reino Unido recebe (sendo deste, 15 milhões somente em Londres) não se sentem discriminados no “velho mundo”. Muito pelo contrário, se surpreendem com o nível de receptividade e respeito que os ingleses recebem os turistas, salvo algumas raríssimas exceções, e acabam se apaixonando por aquela atmosfa. E aqueles que se acostumam ou não se importam com a tradicional "frieza" inglesa (aqui é de suma importância não confundir frieza, que é algo extremamente cultural dos tempos dos Lordes e da Nobreza que perdurou na pós idade média com os Burgueses, com preconceito e indiferença) se sentem definitivamente em casa. Os poucos que possuem a sorte de morar por um tempo na terra da rainha raramente desejam retornar aos seus países de origem pois acham ali uma forma exemplar de direitos e benefícios, inclusive àqueles que são considerados ilegais (que, apesar de tudo, podem trabalhar legalmente no país, uma vez que os departamentos de Imigração e de Trabalho não possuem um sistema de cruzamento de dados).
Os empregadores, cada vez mais, contratam estrangeiros desqualificados para trabalhos braçais ou serviços básicos como, por exemplo, o de Lavador de Pratos ou de Entregador de Pizza pois é definitivamente uma mão de obra mais barata. Na Inglaterra isso tornou-se uma tendência, principalmente após a última crise financeira em que observou-se a substituição de trabalhadores ingleses por estrangeiros. E foi a partir desta tendência e mais expressivamente no momento de crise que o BNP se fortaleceu, após um longo período adormecido, conturbado e inexpressivo de raras atividades políticas.

Pelo menos era isso que todos achávamos. Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa de Políticas Públicas (Institute of Public Policy Research – IPPR) revelou que 9 em cada 10 lugares onde o BNP possui uma expressiva força no Reino Unido, e onde recebeu a maioria dos votos, possuem uma população de imigrantes abaixo da média nacional.


Os pesquisadores verificaram que a ideia que os políticos necessitam adotar uma política mais dura com relação a imigração é enganosa. Ao invés disso, necessitam trabalhar duro para construir comunidades fortes, um sistema de ensino forte, e precisam reconstruir a confiança na política democrática para que "marginalizados e isolados” não se sintam tãodesconectados” (fora da sociedade). Dessa forma, chegaram à conclusão que em áreas onde verifica-se um grande e expressivo número de imigrantes, como a própria magnífica Londres, salvo as cidades de Barking and Dagenham (exceção à regra), dificilmente votaram ou votarão no BNP.

Imagem do arquivo pessoal. Todos os Direitos Reservados. Cópia Proibida

O estudo reconhece que a imigração é um assunto de preocupação para o povo britânico e teve alguns efeitos negativos sobre o Reino Unido, mas diz que, quando as pessoas tiveram algum contato direto significativo com os imigrantes, a grande maioria não se preocuparam e nem se preocupam o suficiente para votar no BNP .

Dessa forma podemos verificar que apesar de serem tachados como preconceituosos, os ingleses preocupam-se com os Direitos Humanos e sabem o que querem para seu país e não estão dispostos a ceder ao partido de extrema direita. Dizem não a um extremismo político que pode muito bem remeter à antiga Alemanha nazista e é com essa consciência que a vasta maioria, coincidentemente aquela que mais tem contato com as "vítimas da guerra declarada pela BNP", reconhecem que é necessário e digno alterar a política para todos, através de uma significativa inclusão social.


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Fontes:

O estudo foi noticiado pelo respeitado jornal “The Guardian” em 19/04/2010 com o título que a “Imigração não é o combustível para o suporte ao BNP – Estudo IPPR – www.guardian.co.uk/politics/2010/apr/19/immigration-not-fuel-bnp-support
http://www.bnp.org.uk/
en.wikipedia.org/wiki/British_National_Party
Koshiba, Luis; História – Origens, Estruturas e Processos, 3ª Reimpressão, 2000, Editora Atual


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